Concurso de Apoio à Circulação de Espetáculos: candidaturas abertas até 12 de outubro

Abriu esta segunda-feira, 24 de setembro, a segunda fase de candidaturas ao concurso de Apoio à Circulação de Espetáculos, promovido pela Fundação GDA. As candidaturas podem ser submetidas, até ao dia 12 de outubro no Portal do Artista.

Os artistas interessados em concorrer ao programa Apoio à Circulação de Espetáculos, promovido pela Fundação GDA, deverão proceder às suas candidaturas através do Portal do Artista, até ao dia 12 de outubro. Recomenda-se que consultem previamente o Regulamento Geral de Candidaturas aos Apoios 2018, o Regulamento Específico deste concurso, bem como o respetivo Aviso de Abertura.

Recorde-se que, através do seu programa de Apoio à Circulação de Espetáculos, a Fundação GDA apoia a apresentação pública de projetos de música, teatro e dança, em Portugal e no estrangeiro, tendo em vista estimular a circulação de espetáculos e artistas, bem como a divulgação e o desenvolvimento das suas carreiras.

Circunstâncias excecionais permitiram que este concurso tivesse, em 2018, um imprevisto aumento de orçamento, disponibilizando-se um montante global de €150.000 para distribuir pelas suas duas fases. Este valor representa um crescimento de 25% face aos €120.000 disponibilizados na edição de 2017.

Na primeira fase, o júri externo analisou 35 candidaturas, tendo deliberado o apoio a 28 projetos: quatro na área da dança, 20 na área da música e quatro na área do teatro. Nesta fase, foi atribuído um montante total de €73.3670, ficando o restante afeto à segunda fase.

O montante máximo de apoio a atribuir por candidatura é de €3.000,00 (três mil euros), sendo os apoios concedidos a título de comparticipação nas despesas ou encargos dos projetos, nomeadamente aqueles relativos aos custos dos artistas intérpretes ou executantes como cachets, viagens, estadias, alimentação e transporte.

As candidaturas apoiadas no âmbito deste programa terão, obrigatoriamente, de finalizar o circuito de apresentação dos espetáculos previstos no prazo máximo de 12 meses a contar da data da notificação sobre a atribuição do apoio.

© Imagem do projeto Mosaico – Fado Bailado, uma produção da Cerci Oeiras apoiada, em pelo Programa de Apoio à Circulação de Espetáculos da Fundação GDA

Fundação GDA apoia 20 espetáculos de teatro e dança em concurso extraordinário

Dos 108 projetos que concorreram ao concurso Extraordinário de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança 2018, foram selecionados 20, pelos quais a Fundação GDA irá distribuir um montante global de € 149.103.

De um total de 108 projetos que concorreram ao concurso Extraordinário de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança 2018 promovido pela Fundação GDA, o júri externo, composto por Ana Pais, José Luis Ferreira e Maria de Assis Swinnerton, deliberou apoiar nove projetos na área do teatro, sete na dança e quatro nos cruzamentos disciplinares.

O montante total de apoios neste concurso extraordinário ascende aos € 149.103,00 e será distribuído pelas seguintes candidaturas:

Projetos Apoiados

Candidatura nº 1665 – Público Reservado – Teatro

Candidatura nº 1672 – Tiago José Nascimento Cadete – Teatro

Candidatura nº 1708 – Má Criação – Teatro

Candidatura nº 1714 – Auéééu – Associação – Teatro

Candidatura nº 1717 – Associação Parasita – Dança

Candidatura nº 1731 – Outro Vento, Associação Cultural – Dança

Candidatura nº 1737 – Sílvio Mendes Graterol Vieira – Teatro

Candidatura nº 1740 – Ana Rita Teodoro Costa – Dança

Candidatura nº 1743 – Henrique Miguel Furtado Perestrelo Vieira – Cruzamentos Disciplinares

Candidatura nº 1753 – Malvada Associação Artística – Teatro

Candidatura nº 1755 – Marco Alexandre Temporário Mendonça – Teatro

Candidatura nº 1767 – Sr. João – Associação – Cruzamentos Disciplinares

Candidatura nº 1770 – Marta Garcia Cerqueira – Dança

Candidatura nº 1773 – Associação Cultural Zona Não Vigiada – Cruzamentos Disciplinares

Candidatura nº 1779 – Pé de Pano – Projectos Culturais – Cruzamentos Discipinares

Candidatura nº 1794 – Teresa Fernandes de Oliveira Alves da Silva – Dança

Candidatura nº 1795 – Colectivo Lagoa – Dança

Candidatura nº 1804 – Associação Cultural Truta – Teatro

Candidatura nº 1813 – Lígia Maria Soares – Teatro

Candidatura nº 1843 – Associação Teatro Experimental de Lagos – Dança

Circunstâncias excecionais permitiram que, este ano, o Conselho de Administração da Fundação GDA deliberasse a abertura, em julho, de um concurso extraordinário para apoiar espetáculos de Teatro e Dança, com um montante de €150.000, tendo sido fixado um valor máximo de € 7.500 a atribuir a cada projeto.

Recorde-se que programa de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança visa apoiar a produção e apresentação pública de projetos nos domínios do teatro, da dança e dos cruzamentos disciplinares. Os objetivos centrais deste programa são a promoção de oportunidades para o desenvolvimento da atividade profissional de atores e bailarinos, e dinamizar a oferta e a diversidade criativa nestas áreas, prestigiando a carreira profissional dos artistas.

© Imagem do projeto Vila, de Eduardo Lousinha Breda, apoiado no âmbito do concurso de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança 2017.

Workshop – Método Suzuki para ator/bailarino com descontos para cooperadores da GDA

Tido como o maior divulgador do Método Suzuki no Ocidente, Kameron Steele estará em Lisboa, entre os dias 8 e 12 de outubro, para ministrar um workshop baseado no ensino do vocabulário e da filosofia que compõem o “treino Suzuki”. Os cooperadores da GDA que pretendam inscrever-se beneficiam de um desconto.

De 8 a 12 de outubro decorre, em Lisboa, um workshop coordenado por Kameron Steele, tido nas últimas três décadas como o principal embaixador do Método Suzuki na Europa e na América.

Nesta iniciativa, que terá lugar no Estúdio Central da Companhia Olga Roriz, partilha-se a gramática e o vocabulário do Método Suzuki, que será complementado com trabalho de composição/criação de cenas nas quais o corpo, a voz e a ficção se integram num todo.

O método reúne, desde os anos 70, numa linguagem criada por Tadashi Suzuki e os seus atores da Suzuki Company of Toga, elementos de diversas disciplinas como o Kabuki, o Teatro Noh, as artes marciais, a dança, os desportos, entre outras.

Organizado pelo Coletivo JAT – Janela Aberta Teatro e Joana Pupo, este workshop de 30 horas constitui uma oportunidade para conhecer o Método Suzuki e a sua relação com a criação teatral.

Datas e horas: 8 – 12 de outubro, das 17h às 23h30.

Local: Estúdio Central da Companhia Olga Roriz, Palácio Pancas Palha, Rua de Santa Apolónia 12-14, 1100-468 Lisboa

Preço: € 280 (€ 130 para cooperadores da GDA)

Informações e inscrições: suzuki.lisboa.2018@gmail.com

 

 

 

Concursos primeiro semestre: 186 projetos, 940 artistas

Durante o primeiro semestre de 2018, a Fundação GDA apoiou financeiramente, através dos seus programas, 186 projetos envolvendo um total de 940 artistas. Nesse período, o montante global investido pela fundação nos programas de apoio ascendeu aos € 769.369,92.

No primeiro semestre deste ano, a Fundação GDA apoiou financeiramente, através dos seus programas, 186 projetos envolvendo um total de 940 artistas. Nesse período, o montante global investido pela fundação nos programas de apoio ascendeu aos € 769.369,92.

Os programas de apoio da Fundação GDA encerrados nos primeiros seis meses de 2018 resultaram num investimento global de € 769.369,92, distribuídos por 186 projetos que envolveram 940 atores, músicos e bailarinos, de acordo com os números apurados pelo Departamento Cultural da fundação.

Recorde-se que, a Fundação GDA procura atuar, através dos seus programas de apoio, sobre as dinâmicas da produção e da criação artística. Dessa forma, os apoios são orientados para o papel específico de atores, bailarinos e músicos, visando diretamente o seu trabalho, as suas carreiras e as oportunidades de exercício profissional. Não se trata de apoios genéricos às Artes, mas aos artistas, suportando as despesas com eles diretamente relacionadas, como cachets, deslocações e seguros, entre outras.

Segundo os dados referidos, à primeira fase do concurso de Apoio à Edição Fonográfica de Intérprete 2018, concorreram 132 projetos, tendo um júri externo decidido apoiar 45 – 30 com € 2.500,00 e 15 com € 5.000,00. O montante total desta fase foi de € 150.000,99. Os projetos selecionados neste concurso envolvem um total de 256 artistas intérpretes.

No caso do programa de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança, o júri analisou 105 candidaturas, tendo selecionado 21, pelas quais foi distribuído o montante de € 156.000,00. Este programa apoia a produção e apresentação pública de projetos nos domínios do teatro, da dança e dos cruzamentos disciplinares, contribuiu assim para que o desenvolvimento da atividade profissional de 133 atores e bailarinos.

Na área do cinema, o número de projetos que concorreram ao programa de Apoio a Curtas-metragens cifrou-se no 89, tendo sido selecionados 37, envolvendo 234 atores. Os projetos escolhidos pelo júri deste programa obtiveram um apoio global de € 175.000,00.

Uma parte do investimento da Fundação GDA é canalizado para o programa de Apoio a Bolsas de Qualificação e Especialização Artística. Este ano foram submetidas ao júri externo do concurso 74 candidaturas, tendo sido concedido apoio a 47 (e a igual número de artistas): 34 na área da música, cinco na área da dança e seis na área do teatro. O montante global ascendeu aos € 200.000,00.

Das 35 candidaturas à primeira fase do programa de Apoio à Circulação de Espetáculos, o júri deliberou apoiar 28, envolvendo um total de 249 artistas. O montante global desses apoios ascendeu aos € 73.369,92, possibilitando a exibição pública de 28 projetos de música, teatro e dança, em Portugal e no estrangeiro.

Outro incentivo à apresentação de artistas portugueses, neste caso os músicos, é o novo programa de Apoio a Showcases Internacionais que suporta deslocações de bandas portuguesas convidadas a apresentarem-se em festivais para profissionais no estrangeiro. No primeiro semestre do ano, este apoio possibilitou a apresentação de 21 artistas portugueses em festivais que funcionam como montras profissionais e plataformas de encontro entre artistas, editoras e produtores.

Programa de Apoio

Artistas Intérpretes Apoiados

Montantes

Edição Fonográfica de Intérprete: 1.ª Fase 256 € 150.000,00
Showcases Internacionais 21 € 15.000,00
Espetáculos de Teatro e Dança 133 € 156.000,00
Circulação de Espetáculos: 1.ª Fase 249 € 73.369,92
Bolsas de Qualificação 47 € 200.000,00
Curtas-metragens 234 € 175.000,00
Total 940 € 769.369,92

 

© Foto: Diana Quintela

Projeto #makethemost terá mais duas sessões em 2018

Depois de a primeira sessão ter esgotado a lotação, o projeto #makethemost terá mais duas sessões até ao final do ano. A próxima será já a 17 de setembro e a seguinte a 19 de novembro.

A lotação para a primeira edição do projeto #makethemost (Fundos Europeus para as Artes e a Cultura), que decorreu dia 2 de julho, no espaço do Pólo das gaivotas, esgotou poucos dias após o anúncio público da sua realização. Entretanto, quem ainda quiser saber como tirar o máximo proveito dos fundos Europeus para projetos culturais, poderá inscrever-se numa das sessões que já estão confirmadas até ao final do ano: a próxima será já no dia 17 de setembro, nas instalações da GDA em Lisboa. A seguinte, a 19 de novembro no espaço da Culturgest.

Esta iniciativa promovida pela Fundação GDA, com produção da Mapa das Ideias e A Reserva, visa aproximar a comunidade artística portuguesa dos fundos europeus e tem como objetivo motivar os artistas e transmitir-lhes conhecimento de como aproveitar melhor os fundos europeus para os seus projetos.

O #makethemost assenta na realização de sessões informais, que pretendem fomentar o diálogo e a troca de experiências, facilitando o acesso à informação sobre os financiamentos da União Europeia. Tudo isso enquadrado num ambiente informal de tertúlia ao final da tarde.

A sessão de 17 de setembro centra-se no Programa Erasmus+, Ação-chave 2 (KA2) – Cooperação para a inovação e o intercâmbio de boas práticas (Parcerias Estratégicas), em especial no aviso que atualmente se encontra a decorrer “Parcerias estratégicas no domínio da juventude”. 

“O objetivo desta sessão é apresentar as oportunidades de financiamento neste programa”, explica Francisco Cipriano, especialista em fundos Europeus e mentor da iniciativa. Para tal, serão dados a conhecer projetos ganhadores neste domínio, o Arts in Action da Pr’Animação – Associação de Animação Cultura – e o BeMore, constituído por uma parceria que envolve os municípios de Azambuja, de Moya (Espanha, Canarias) e de Castel Bolognese (Itália).

O projeto #makethemost surgiu em 2018, na sequência do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, como uma das respostas da Fundação GDA à necessidade de criar mecanismos e metodologias para aprofundar a capacidade de relacionamento do setor artístico nacional com este universo. Este projeto não se ficará pelas três sessões de 2018, estando prevista a realização de mais seis sessões no ano seguinte, em diversas regiões do país.

“Com esta iniciativa, a Fundação GDA quer assumir um papel de catalisador, mediador e facilitador dos elementos que proporcionem uma maior fluidez na informação sobre programas comunitários dos quais os artistas possam beneficiar”, diz Mário Carneiro, diretor-geral da Fundação GDA.

Clicar aqui para saber mais sobre a 2.ª sessão

“A fórmula da GDA e Fundação GDA é extraordinária e lógica”

Cláudia Galhós, escritora e jornalista, está a preparar um livro dedicado ao trabalho e às políticas da GDA e da Fundação GDA nas áreas da ação cultural e social. Na entrevista que se segue diz que encontrou nas duas instituições “uma perspetiva inteligente, generosa, justa e realista”.

Entrevista a Cláudia Galhós, escritora e jornalista

Escritora, ensaísta, jornalista. Cláudia Galhós é tudo isto. É, sobretudo, especialista em artes performativas. Presentemente, a autora de Pina Bausch e O Tempo das Cerejas, entre outros títulos, tem em mãos um projeto de livro dedicado às iniciativas, programas e políticas desenvolvidas pela GDA e pela Fundação GDA nos campos da ação cultural e social.

Trata-se de uma análise do caminho percorrido ao longo de uma década e de um olhar para o património, intelectual, económico, social e simbólico entretanto acumulado. Um trabalho que vai aferir o impacto da ação da GDA e da sua fundação no tecido criativo nacional e no papel público do artista intérprete na sociedade.

 

Tem feito um trabalho de sapa nos arquivos da GDA e da Fundação GDA. Qual a sua impressão, depois mergulhar neste trabalho?

Encontrei aqui uma perspetiva inteligente, generosa, justa e realista. O que sobressai imediatamente é o uso com integridade, e fundado nos valores essenciais de uma sociedade justa, dos recursos gerados pela sociedade capitalista para, sem a pôr em causa, investir e promover um dos seus pilares fundamentais: a cultura. E isso é extraordinário! E devo realçar que contei também com o trabalho realizado pela Carmo Burnay, a qual efetuou um levantamento labiríntico, em termos de números, documento a documento.

Como assim?

A GDA foi criada em 1996 para cobrar os direitos conexos dos artistas, intérpretes e executantes, fazendo por estes a distribuição proporcional das receitas que o seu trabalho gerou. Por imperativo legal, criou, dez anos depois, um fundo social e um fundo cultural para o qual tinha de alocar um mínimo de 5% das receitas cobradas. Essa percentagem representa um gesto altruísta de cada artista cooperador que abdica na distribuição de direitos e que reverte para um bem comum.

Ao criar a Fundação GDA, em 2009, para gerir esses fundos, alargou o âmbito da sua intervenção, passando a abranger não apenas os artistas cooperadores da GDA, mas toda a área artística, incluindo aqueles que trabalham na expressão mais experimental e alternativa, que não geram diretamente recursos financeiros. Ou seja, há um gesto inverso àquele que fundamenta o preconceito, que considero justo, relativamente à indústria cultural: a fundação vai alargar o âmbito de intervenção da cultura à arte, sustentada numa visão de sociedade de cidadãos emancipados, numa ideia de futuro, de civilização. Depois, em termos do que disponibiliza para esse investimento foi mais longe do que era a sua obrigação legal quando, em Assembleia-Geral de cooperadores se decidiu alocar um contributo mais generoso para as áreas social e cultural: 15 por cento. Isso aconteceu porque houve pessoas, como o Pedro Wallenstein [presidente da GDA], entre outros, que entendem não bastar fazer os mínimos para que o investimento nos artistas seja significativo e não apenas simbólico.

 

Qual a particularidade do posicionamento da GDA e da sua fundação no contexto dos apoios à atividade artística?

A GDA e a Fundação reconhecem que há uma lógica de funcionamento de um mercado de produção de bens. Neste caso, bens culturais. Esses têm um valor quantitativo e económico, mas também têm um valor qualitativo e simbólico fundamental. A articulação entre os dois multiplica o valor de ambos e contagia-os com um valor que, isolados, não teriam: valor material e imaterial, financeiro e imagético. Essa lógica funciona, gera dinheiro e viabiliza uma ideia de futuro sustentada na arte e na cultura como alicerces essenciais.

A GDA cobra e distribui o dinheiro gerado pelo trabalho dos artistas intérpretes e executantes. Depois, introduz um elemento ético e moral ao canalizar, através da fundação, uma percentagem das receitas para programas e iniciativas que têm um valor que podemos designar de justiça social. É o próprio mecanismo de funcionamento do mercado que permite que esse dinheiro seja canalizado para uma ideia mais diversificada e ampla.

Ou seja, as cobranças feitas pela GDA, além de remunerarem o trabalho dos artistas, revertem também para a área artística, cultural e das indústrias criativas, fomentando o desenvolvimento de todo este sector.

Isto é extremamente importante, porque vivemos numa sociedade capitalista em que cada vez é mais difícil as áreas artísticas existirem por elas próprias, o Estado revela-se incapaz de acompanhar o desenvolvimento da massa crítica e criativa que tem surgido e se tem diversificado em Portugal em todas as áreas, e é urgente encontrar fontes de investimento alternativo para as artes – não apenas a cultura ou indústria cultural – se não queremos abdicar de uma ideia de futuro. O mecenato não é suficiente, o apoio do Estado não consegue acompanhar a diversidade existente, instituições emblemáticas neste campo, como a Gulbenkian, estão a reduzir a sua contribuição… Ao mesmo tempo, é também cada vez mais difícil haver uma perceção pública da importância da criação artística e da indústria cultural quando assistimos às tensões criadas por estarem a ser postas em causa outras áreas básicas de salvaguarda do valor humano e do Estado social, como a saúde e a educação.

 

O que torna, para si, o trabalho da GDA e da Fundação GDA um caso de estudo interessante?

 

Se a Fundação GDA e a GDA são capazes de, usando um mecanismo capitalista, diversificar o âmbito de distribuição do investimento aos artistas, incluindo artistas, intérpretes e executantes que não participam, de um modo evidente e direto – apenas evidente e direto, porque participam mas é preciso ter visão para o reconhecer – nesse processo de produção de mais-valias, então é claramente um caso exemplar que prova que é possível pensar uma sociedade que inclua essa diversidade: arte que pesquisa, experimental, com sentido crítico e um mundo mais global de cultura, a indústria cultural.

Este facto é extraordinário: conseguir que os mecanismos da lógica do mercado capitalista funcionem para o bem comum. Cria-se um bem, música por exemplo, que produz dinheiro e remunera o trabalho, gerando um remanescente para ser investido na valorização do trabalho dos artistas, o que acaba também por enriquecer a base cultural e artística da sociedade. Esta fórmula é completamente extraordinária e lógica.

O efeito desse trabalho já é mensurável? Já se sente?

Sente-se a vários níveis. Os números, que estarão plasmados no livro, permitem fundamentar um discurso do valor quantitativo do que está a ser feito. É sobretudo a partir de 2015 que há um salto quantitativo imenso. Embora coincida com um retomar da economia, esse salto deve-se também a uma maior eficácia das cobranças feitas pela GDA e à própria evolução interna e organizativa da fundação. Nesta, assistiu-se a uma complexização das áreas de intervenção e das iniciativas, refletida na diversificação das áreas apoiadas e na forma mais estruturada e regular com que a fundação agora organiza os seus programas de apoio.

No plano qualitativo, os números revelam um imenso território e dinâmicas, quer ao nível do teatro, da dança, da música e do cinema, que só existem graças ao apoio de complemento que a Fundação GDA proporciona ou são muito marcados por ele.

 

Pode dar exemplos?

A circulação de espetáculos de artes performativas é um deles, mais ainda quando se continua a não conseguir resolver a questão da descentralização. O programa de Apoio à Edição Fonográfica de Intérprete é outro exemplo, aqui esse impulso tem permitido que sejam editados vários trabalhos de autor que acabam por ter sucesso, ou pelo menos impacto e reconhecimento comercial. Numa lógica pura de mercado, que filtra a produção mais por critérios quantitativos do que qualitativos, esses projetos não teriam tido a mesma capacidade de se concretizarem. Estes programas são fundamentais para regular essa lógica esmagadora.

Workshop O Corpo e o Inconsciente, com João Garcia Miguel

O corpo e o inconsciente do artista estarão no centro de um workshop para atores ministrado por João Garcia Miguel, entre os dias 17 e 21 de setembro em Lisboa. Durante essa ação trabalhar-se-á a partir de textos de Herberto Hélder. As inscrições estão abertas até 25 de agosto e os cooperadores da GDA beneficiarão de um desconto de 77%.

O workshop para atores intitulado o Corpo de o Inconsciente realiza-se, entre os dias 17 e 21 de setembro no Ginásio Inatel Mouraria, perto do Martim Moniz, em Lisboa. A frequência desta formação ministrada por João Garcia Miguel tem um custo de € 130. Contudo, tratando-se de uma iniciativa apoiada pela Fundação GDA, os cooperadores da GDA que participam beneficiarão de um desconto de € 100, o que reduz esse encargo para os € 30.

Os participantes nesta formação, que contará com textos de Herberto Hélder como eixos dos trabalhos a desenvolver, terão direito a um certificado.

João Garcia Miguel é um dos criadores teatrais mais emblemáticos da atualidade, cujos espetáculos se caracterizam por uma forte componente física, desafiando os performers a irem além dos seus limites. O resultado é de uma transdisciplinaridade que não deixa ninguém indiferente.Esta ação de formação é uma oportunidade única para os profissionais das artes do espetáculo descobrirem, na prática, modalidades do seu trabalho criativo.

Este workshop integra a primeira etapa de num projeto de investigação pós-doutoral de Bruno Schiappa, subordinado ao tema Manifestações da Sexualidade na Performance Teatral: efeitos e consequências de ordem ética, estética e política do erotismo, exibicionismo e voyeurismo, que pretende fazer uma reflexão sobre o percurso e obra deste criador.

Durante o workshop, será feito um registo fotográfico que não exporá nenhum dos participantes nem nenhuma imagem será publicada sem consentimento prévio.

Financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, a investigação de Bruno Schiappa é acolhida pelo Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

As inscrições devem der efetuadas através do email brunoschiappa@letras.ulisboa.pt até dia 25 de agosto, sendo que os membros da GDA devem indicar o seu número de cooperador.

Concurso Extraordinário de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança decorre até 20 de julho

O prazo de candidaturas ao Concurso Extraordinário de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança abriu, esta segunda-feira, 2 de julho e decorrerá até ao dia 20.

O Concurso Extraordinário de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança, através do qual se apoia a produção e apresentação pública de projetos nos domínios do teatro, da dança e dos cruzamentos disciplinares, deve-se a circunstâncias excecionais, que permitiram ao Conselho de Administração da Fundação GDA deliberar a sua abertura.

Dotado com um montante €150.000,00 (cento e cinquenta mil euros) para distribuir entre os projetos selecionados, este concurso extraordinário tem, tal como os programas de apoio regulares para esta áreas, como objetivo a promoção de oportunidades para o desenvolvimento da atividade profissional dos atores e dos bailarinos, além de dinamizar a oferta e a diversidade criativa nestas áreas aos públicos nacionais, prestigiando a carreira profissional dos artistas.

Esta fase excecional de candidaturas decorrerá de 2 a 20 de julho, estando o valor máximo de apoio a atribuir por projeto fixado nos €7.500,00 (sete mil e quinhentos euros) para um mínimo de 20 apoios, cujos espetáculos deverão ser estreados entre 20 de setembro de 2018 e 20 de setembro de 2019.

Excecionalmente, serão admitidas a este concurso as candidaturas que não tenham sido apoiadas no concurso anterior.

Os apoios financeiros a atribuir deverão ser preferencialmente canalizados para a comparticipação nas despesas ou encargos dos projetos dos artistas intérpretes ou executantes, nomeadamente com cachets, viagens, estadias, alimentação ou transportes, excluindo-se, por conseguinte, candidaturas que visem a obtenção de financiamento integral.

A submissão de candidaturas decorrerá no Portal do Artista, aconselhando-se, no entanto, a leitura antecipada do Regulamento Geral de Apoios para 2018, bem como o Aviso de Abertura e o Regulamento Específico de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança.

 

© Imagem do projeto TABACARIA | ÓPERA DE CÂMARA a partir de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa, da Inestética Companhia Teatral, apoiado no âmbito do Concurso de Apoio a Espetáculos de Teatro e Dança 2017.

Próxima etapa do Rastreio Nacional da Voz: Setúbal

Iniciado há um ano, o Rastreio Nacional da Voz terá em Setúbal a sua próxima etapa. Dirige-se aos artistas do distrito, mas é aberto a toda a população mediante inscrição. Dias 29 e 30 de maio, na Unidade de Saúde Familiar (USF) de São Filipe, no centro de Setúbal.

O Rastreio Nacional da Voz Artística terá a sua próxima etapa na cidade de Setúbal. Este rastreio resulta de uma iniciativa da GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas (a entidade que em Portugal gere os direitos de propriedade intelectual de músicos, atores e bailarinos) em parceria com o Ministério da Saúde e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, cuja Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz se tem distinguido como o principal ponto do Serviço Nacional de Saúde onde são prestados cuidados de saúde diferenciados na área da voz a artistas portugueses.

Este rastreio – dirigido à comunidade artística do distrito, mas aberto a toda a população – terá lugar em Setúbal, na Unidade de Saúde Familiar (USF) de São Filipe (Rua Batalha do Viso, nº 46), nas próximas terça e quarta-feira, dia 29 e 30 de maio entre as 9:00 e as 18:00. A população poderá inscrever-se nessa USF e os artistas poderão fazê-lo também, preenchendo um formulário online (clique aqui para lhe aceder). Quem passar por lá e tiver vaga, também será atendido.

A manhã de dia 29, terça-feira, contará com a presença de artistas que residem no distrito, como os irmãos Nélson e Sérgio Rosado (Os Anjos) ou Anabela, vencedora do Festival da Canção e que voltou a estar na final desta edição de 2018 – entre outros músicos e atores.  Depois, ao longo dos dois dias, artistas como Pedro Galhoz (Pedro e os Lobos), também irão fazer o seu rastreio de voz à USF de São Filipe.

“Este rastreio nacional é uma forma de chamar a atenção dos cantores e dos atores portugueses para os cuidados regulares que devem ter com o seu aparelho vocal: a exigência permanente a que a voz profissional está sujeita desenvolve algumas patologias que, se não forem detetadas cedo e corrigidas, comprometem a prazo a qualidade do desempenho artístico”, afirma Clara Capucho, a cirurgiã otorrinolaringologista responsável pelo rastreio da GDA.

“A Fundação GDA tem sido uma das organizações que, em Portugal, mais consistentemente tem promovido uma cultura de saúde da voz”, afirma por seu turno Luís Sampaio, vice-presidente da GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas, que acompanha o rastreio. “Para além das estruturas de prevenção e diagnóstico precoce que temos dinamizado, a GDA tem tido igualmente um papel importante no apoio e acompanhamento de casos críticos graves de alguns artistas”.

O Rastreio Nacional da Voz Artística – anunciado no Dia Mundial da Voz de 2017 e que fez o balanço do seu primeiro ano no Dia Mundial da Voz de 2018 – percorrerá todos os distritos e regiões autónomas, assegurando desta forma a possibilidade de se fazer o diagnóstico precoce de várias doenças típicas dos profissionais da voz. Serão muitas centenas de exames em cidades e regiões onde, até à data, os artistas lá residentes não tinham acesso a eles. Antes de Setúbal, o rastreio já passou pelo Hospital Egas Moniz, em Lisboa, e por centros de saúde dos distritos de Vila Real, Bragança, Beja, Portalegre, Faro e Évora.

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