Amélia Muge

 

Amélia Muge nasce em Moçambique onde começa a cantar e a compor estudando ao mesmo tempo piano, guitarra e educação musical. Forma-se em História na Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), pós graduando-se seguidamente em Educação para o Desenvolvimento, e Comunicação e Ensino. Lecciona nos Departamentos de História e Ciências da Educação na mesma Universidade e participa em diversos programas relacionados com actividades sócio-culturais e formação para o desenvolvimento. Escreve livros para crianças também ilustrados por ela e colabora em diversos outros livros de carácter artístico e educacional.
Vindo para Portugal, estuda Música para Cinema de Animação (Fundação Calouste Gulbenkian), e também design, desenho e audio-visuais (Ar.Co). Continua a participar em diversas publicações de carácter educacional e artístico, bem como em projectos onde a música aparece ligada às artes visuais, teatro, dança e multimédia, colaborando como artista plástica, autora, compositora, letrista, instrumentista e cantora. Uma outra colaboração, com Júlio Pereira (faz parte do seu agrupamento e aparece no seu disco Braguesa em 1983), leva-a a interessar-se pela música tradicional portuguesa de raiz rural, bem como pela guitarra braguesa que aprende a tocar.
Lança em 1992 o seu primeiro álbum a solo, Múgica, considerado por vários jornais um dos melhores do ano, distinção que lhe continua a ser dada em todos os outros seus trabalhos seguintes. Começa paralelamente a dar concertos e a colaborar como intérprete e/ou cantautora com outros artistas, tais como José Mário Branco, Fausto e Júlio Pereira (Portugal); Amancio Prada, Camerata Meiga e Ester Formosa (Espanha); Elena Ledda, Lucilla Galeazzi e Ricardo Tesi (Itália); e Pirin Folk Ensemble (Bulgária). Continua também a escrever e compor para outros colegas (Mísia, Cristina Branco, Ana Moura, Camané, Mafalda Arnauth, Pedro Moutinho, Gaiteiros de Lisboa, Ana Lains, entre outros) e a trabalhar na produção e direcção artística de trabalhos discográficos.
Em 1994 lança Todos os dias, um disco que a leva a ser nomeada pelos prémios Blitz para melhor voz feminina. No ano seguinte, juntamente com José Mário Branco e João Afonso, faz Maio Maduro Maio, dedicado à obra de José Afonso e distinguido com o prémio Zeca Afonso. Participa ao mesmo tempo em vários festivais, tais como: “Tranches d’Europe Express”, “Les Tombées de la Nuit”, “7 Nuits d’Encens”, “Les Temps Chauds” e “Les Voix du Sud” (França); “Festival Folk” (Espanha); “Sete Sóis, Sete Luas” e “Itinerari Folk” (Itália).
Em 1998 ganha de novo o prémio Zeca Afonso pelo seu novo disco Taco a Taco. Também colabora em Novas vos Trago, um disco promovido pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, onde são recriados antigos romances do Romanceiro Português. Em 2002 lança A Monte e dá concertos na Europa, bem como na América Latina (Argentina, Chile e Brasil). Para lá da escrita de canções, faz direcção artística e adaptação para português da banda sonora de séries estrangeiras de desenhos animados para televisão. Escreve uma peça de teatro para a infância, O Dono do Nada, que estreia em 2003 no Teatro Olga Cadaval em Sintra e que é reposta em 2006 no Teatro Maria Matos em Lisboa.
Lança em 2007 Não Sou Daqui. Destacam-se neste período os concertos na Culturgest (Lisboa) e na “Cité de la Musique” (Paris); na “Fête de l’Europe” (Amilly) e em “Barnasants” Festival (Barcelona) no ano seguinte; e a sua participação nos “Rencontres de Musiques Classique et Contemporaine de Calenzana” (Córsega) e nos encontros de Lusofonia em Praga em 2009.
O ano de 2010 começa com a saída do livro-CD Uma Autora, 202 Canções (tantas quantas as registadas na altura na Sociedade Portuguesa de Autores), acompanhado de concertos de promoção entre os quais o de apresentação no Centro Cultural de Belém. Ainda neste ano é convidada por Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura a criar e dirigir o grupo vocal “Outra Voz”, onde participam mais de 100 amadores de todos os extractos culturais, sociais e etários residentes na região.
Trabalhando juntamente com o compositor e jornalista grego Michales Loukovikas, traduz e adapta para português o seu livro-CD O Ouro do Céu, baseado na poesia de Ares Alexandrou e publicado em Setembro de 2011. Esta colaboração continua com a saída do CD-livro Periplus / deambulações luso-gregas em Fevereiro de 2012, com música e músicos de Portugal e da Grécia, e a escritora Hélia Correia, a cantora Eleni Tsaligopoulou e o Outra Voz como convidados especiais. Periplus apresenta-se na Culturgest em Lisboa e no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, com a participação especial do Outra Voz, e abre o Festival das Músicas do Mundo em Sines em Julho.
Ainda no mesmo mês, Amélia Muge está presente no Festival “Les Temps Chauds” (França). Paralelamente, colabora como cantautora, arranjadora, intérprete e directora musical no CD Routes, dedicado à Lusofonia e integrado no projecto “Le fil de l’air”, que põe crianças francesas a interagir com músicos convidados, cantando canções dos seus países. Em Setembro participa na equipa criativa que apresenta um Festival dedicado à Serra Algarvia, organizado pela DeVIR. Em Outubro Periplus vai ser lançado e apresentado na Grécia. No mês seguinte, Amélia vai estar com Filipe Raposo a apresentar o concerto Por entre as sombras do arvoredo, no Centro Cultural de Belém, no âmbito do “Sintra Misty Fest”. Finalmente, em Dezembro, como membro da equipa artística, vai estar no espectáculo final de Guimarães 2012 Capital da Cultura, “Comunidade”, no qual participam mais de 500 cidadãos.
Periplus foi distinguido como o melhor álbum do ano de 2012 (Jornal Expresso), um dos três melhores álbuns pela Sociedade Portuguesa de Autores, um dos Dez melhores álbuns internacionais ( Mundofonias, Espanha) e seleccionado para os dez melhores álbuns internacionais pela prestigiada revista inglesafRoots.
Periplus participa em 2013 no Festival Tão Longe Tão Perto ( Rio de Janeiro) e no Festival Demitria, em Thessaloniki( Grécia).
Ainda nesse ano é Directora Artística da homenagem feita a Jony Mitchell no âmbito do Misty Fest( Centro Cultural de Belém).
Recebeu em 2013 o prémio da Academia Charles Cros (França) pela sua participação no CD Ruelles.
Edita em Novembro de 2014 “Amélia com versos de Amália” e foi a convidada do Kronos Quartet no seu concerto no grande Auditório da Gulbenkian onde faz a estreia mundial de dois dos temas. Este álbum esteve entre os melhores do ano para Jornais como Público e Expresso. Em 2015 apresenta “Amélia com versos de Amália” em vários locais do país, com estreia na Culturgest. Tem, em parceria com Michales Loukovikas, desenvolvido a temática das metodologias criativas em contexto intercultural, participando em vários colóquios quer a nível académico quer associativo,sobre esta temática, quer em Portugal quer na Grécia. Foi a responsável pela apresentação e direcção artística do projecto: De Viva Voz, integrado no Misty Fest de 2016.
2017 levou-a a um concerto à Culturgest, numa criação própria, a convite da mesma: Com o Passo das Árvores. Também por convite do Teatro S. Luis, estará em Novembro nesse local em concerto, para uma primeira apresentação do projecto Luso-Grego: ARCHiPeLAGOS, Passagens, cuja edição em CD-Livro, chegará às lojas em 2018, e que também teve o apoio da GDA.

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